terça-feira, 20 de outubro de 2009

A BOLÍVIA QUERIDA


Sou torcedor declarado do Sampaio Corrêa Futebol Clube, o clube de maior torcida do Maranhão. Já começo achando o nome do time interessantíssimo. Sampaio Corrêa II era o nome de um hidroavião que aportou em São Luís no final de 1922; seus comandantes, o brasileiro Pinto Martins e o norte-americano Walter Hinton, tentavam concluir a primeira ligação aérea entre as Américas, dos EUA ao Brasil. Não faço a menor ideia do que ocorreu na viagem, e nem pretendo descobrir. Me basta saber que o hidroavião batizou o clube de futebol e as cores dos uniformes dos pilotos foram adotadas pelo time.

Sou um fascinado, por exemplo, pela escalação do primeiro time da história do grande Sampaio. Experimentem recitar os nomes dos jogadores que em 1925 enfrentaram e venceram o Luso Brasileiro, campeão maranhense de 1924. Quero crer que a sonoridade obtida por essa escalação é digna de um alexandrino de boa cepa: Rato; Zé Novais e João Ferreira; Rui Bride, Chico Bola e Raiol; Turrubinga, Mundiquinho, Zezico, Lobo e João Macaco.

Esse ataque ( repito com prazer : Turrubinga, Mundiquinho, Zezinho, Lobo e João Macaco ) é coisa séria ! Me lembra o esquadrão do Vila de Cava F. C. que, nos anos 80, contava com Capiroto, Curupira, Corno Manso, Abecedário e Aderaldo; uma linha de frente que marcou época nos campeonatos amadores de Nova Iguaçu.

Além das razões citadas, o Sampaio também merece meu apreço por representar algumas coisas que escapam dessa praga do futebol atual, onde só se fala de gestão empresarial, clube empresa, jogador celebridade, futebol enquanto produto e quejandos. O clube maranhense é, por exemplo, conhecido, em virtude de suas cores, pelo apelido carinhoso de "Bolívia Querida". Imaginem o potencial mercadológico disso: nenhum, evidentemente.

Outro fato dignifica o Sampaio. Um dos maiores ídolos da história do clube foi o lendário goleiro Juca Baleia, que jogou no tricolor entre as décadas de 1980 e 1990. Com cerca de 100 quilos, Juca Baleia era, ao lado do cantor Nelson Ned, a pessoa menos indicada do mundo para ser goleiro de futebol. Acabou se consagrando como um arqueiro imponente, de milagrosa agilidade, conhecido pelos epítetos de Moby Dick e " baleia voadora".

É de um jogador do Sampaio o recorde de gols numa partida no Brasil. Em 1939, no jogo em que o clube derrotou o Santos Dumont por 20 X 0 , o atacante Mascote fez 10 gols. O resultado representou a extinção, ainda no gramado, do time que homenageava o inventor do avião. É justo lembrar que o recorde de Mascote foi igualado por Caio Mário (CSA 22 X 0 Maceió , pelo certame alagoano de 1944) e pelo Dario Peito de Aço, o Dadá Maravilha ( Sport 14 X 0 Santo Amaro, pelo campeonato pernambucano de 1976).

É por tudo isso, senhores, que eu tenho pelo Sampaio Corrêa tremendo carinho e formo fileiras com a sua imensa e apaixonada torcida. Avante, Bolívia querida!

4 comentários:

leo boechat disse...

Será que o Luso Brasileiro é primo do Tuna Luso paraense? Aquele com a camisa igual a do Vasco, com verde no lugar do preto?

Boa reedição.

Duda disse...

Como esse é o único meio pelo qual posso me comunicar com você... Vim aqui somente manifestar minha humilde revolta.. não tenho mais aula com você, querido Simas.
Aguardo ansiosamente o pacote de novembro, com esperanças de que você apareça novamente pra me ensinar a melhor matéria acompanhada de uma das minhas paixões, a música.
Saudade temporária.
Eduarda

Bruno Ribeiro disse...

Que Hino! Que Hino!

Anônimo disse...

Cara eu sou louco pela bolívia querida!! Tem Sampaio Corrêa, EU TÔ LÁ!!!! VIVA O TUBARÃO TERROR DO MARANHÃO!!