quarta-feira, 21 de julho de 2010

NO TWITTER [ENQUANTO AGOSTO NÃO CHEGA]

O blog continua em recesso - estou curtindo as férias escolares de papo pro ar. Enquanto isso vou batendo bola de leve no tal do "seu" twitter, colocando uns sambas e apontando alguns textos que ando lendo. Para dar um passada no twiteer é só clicar no https://twitter.com/o_netodogrosso . Indicarei lá qualquer texto novo que pinte por essas bandas.

Abraços

quinta-feira, 15 de julho de 2010

ATÉ AGOSTO

Aviso aos navegantes: esta página voltará a ser atualizada, com textos inéditos, em agosto.

Abraços

quinta-feira, 1 de julho de 2010

ANTES DO JOGO CONTRA OS LARANJAS: ONDE O BRASIL APRENDEU A LIBERDADE


Estamos acostumados a descer o sarrafo nos holandeses desde Guararapes, quando expulsamos os sujeitos de Pernambuco em 1654. Às vésperas de mais uma disputa contra os laranjas, valendo vaga para as semifinais da Copa da África do Sul, já iniciei minhas orações mais íntimas pedindo o axé da Senhora dos Prazeres, que há de nos valer na hora da onça beber água na grande área. Explico.

Uma das manifestações religiosas mais famosas da terra da minha mãe, tios e avós -  Pernambuco - é a Festa de Nossa Senhora dos Prazeres, realizada nos primeiros dez dias após a Semana Santa, em Jaboatão dos Guararapes. Os cabras da peste costumam chamar a louvação de Festa da Pitomba, já que ela acontece exatamente na época da safra da fruta que lambuza e perfuma a nossa aldeia da pedra furada, por onde vaza o mar sem fim que vem de Itamaracá.

Reza a tradição que durante a guerra de expulsão dos holandeses, enquanto o couro comia, a Senhora dos Prazeres apareceu de forma milagrosa aos guerrilheiros brasileiros. Não satisfeita em dar, literalmente, o ar de sua graça, a Virgem chegou com a macaca e aprontou um furdunço arretado: transformou pedras em balas, protegeu as tropas [salve o nosso sincretismo!! O que a  Senhora dos Prazeres fez foi fechar o corpo da rapaziada, numa macumba das boas] e praticamente garantiu a vitória canarinho.

Agradecido ao milagre da santinha, o general Francisco de Menezes mandou erguer no solo valente de Guararapes, nos idos de 1656,  uma capela em homenagem à Virgem e em louvor ao nosso triunfo. Eu, evidentemente, de sangue pernambuco nas veias, sou devoto confesso da santa.

Como a festança começa logo após o Domingo de Páscoa, e portanto ao final da quaresma, a rapaziada aproveita - desde os tempos coloniais - o forrobodó religioso para descontar os tempos de penitência e se esbaldar nos folguedos. Ao lado da novena e da procissão da santinha, desfilam cortejos de pastoris, bois e maracatus; a comilança e a cangebrina rolam soltas. Para colocar mais pimenta no sarapatel do fandango,  os candomblés mais tradicionais de Xambá e as casas de encantaria batem os atabaques em louvor aos índios e negros que lutaram na guerra de libertação.

Dito isso, faço o vaticínio: Meu único receio em relação ao jogo de amanhã reside no evangelismo bocó e desencantado da maioria dos jogadores do escrete, que renegam a santidade da santinha e esconjuram os caboclos bugres e os pretos encantados do Brasil. Não passam de uns brocoiós amorfos liderados por um brucutu em roupa de grife.

Sou um ateu juramentado que cansou de ver milagres e prodígios do povo. É por isso que me apegarei, ao rolar a redonda, aos meneios do manto da Virgem e aos eguns sagrados de Guararapes e atribuirei a eles o triunfo. A derrota [toc-toc-toc] será creditada exclusivamente aos crentes que untam seus corpos com creminhos de moças da Victória´Secret quando deveriam ungi-los - pretos, índios e brancos misturados que são - com a água benta da capelinha da Virgem Santa e com o banho das folhas maceradas de Osain, feiticeiro curupira e cuidador matreiro das caboclices da nossa guma.

Ouve, santinha guerreira, esse  Padre Nosso do nosso povo, a oração mais sagrada da tua festa :


Abraços