quarta-feira, 11 de maio de 2011

DA PARAÍBA PARA O MUNDO: GALO X RAPOSA - O CLÁSSICO DOS MAIORAIS



Que me desculpem os atleticanos e cruzeirenses. A decisão de campeonato regional entre o galo e a raposa que promete nesse 2011 é mesmo a do certame da Paraíba. Os dois gigantes de Campina Grande, o Treze (o galo) e o Campinense (a raposa), cruzarão os bigodes no gramado em mais um "clássico dos maiorais", como o desafio é conhecido.

No meio de tudo isso, e enquanto aguardo esse embate que reputo como mais importante que qualquer Barcelona X Real Madri, o Botafogo de João Pessoa tenta anular na justiça o jogo semifinal em que perdeu do Treze por 4 X 0. A partida foi mesmo de fazer briga entre o bando de Lampião e a tropa volante parecer um faniquito entre normalistas do Instituto de Educação. O prélio terminou em grossa pancadaria, com cinco jogadores expulsos, oito contundidos, o juiz tendo uma crise histérica, dois repórteres desmaiando no gramado e tiros para o alto nas arquibancadas. O Botafogo alega que o Treze começou a quizumba.

Daqui eu já adianto: torço pelo Treze. A razão é da maior relevância. O Treze Futebol Clube, o alvinegro de Campina Grande, tem o nome de time mais interessante no Brasil. O Treze é imbatível nesse ponto. Já escrevi sobre isso alhures, mas não custa recordar.

O clube paraibano nasceu no dia 7 de setembro de 1925, numa reunião que contou com a participação de alguns doidos interessados em difundir o futebol em Campina. Durante o pega pra capar para se escolher o nome da agremiação, um dos fundadores, José Casado, sugeriu que o clube adotasse como nome a quantidade de pessoas presentes ao ato de fundação. Quantos somos, cabras? perguntou o Zé. Treze! E assim ficou.

Isso significa que o Treze poderia perfeitamente se chamar Onze Futebol Clube, Vinte Futebol Clube, Trinta e Quatro Futebol Clube, Setenta e Sete Futebol Clube, e por aí vai.

O primeiro time do Treze, que estreou nos gramados enfrentando o Palmeiras de João Pessoa [1 de maio de 1926], foi formado por um onze de respeito : Olívio; Zé Elói e Lima; Eurico, Zacarias do Ó e Zé de Castro; Rodolfo, Casado, Reis, Zé Cotó e Guiné.


Sobre este histórico primeiro time, aliás, reparem na foto acima. Percebam a magnífica camisa que o eleven paraíbano usou no jogo inaugural. Isso sim é design arrojado, o resto é conversa de songamonga.

O Treze ganhou o jogo pioneiro por um gol. O autor do tento, depois de jogada individual nunca dantes vista nas paraíbas, foi o ponteiro esquerdo Guiné. Aqui vale uma explicação. O nome de batismo do herói do gol inaugural era Plácido Véras. O apelido foi dado pelos amigos em virtude de uma característica de Plácido nos gramados; a velocidade espantosa que o assemelhava a uma guiné, a ave, ciscando no terreiro.

O mascote do Treze, como mencionei no inicio desse arrazoado, é um galo. A razão, assim como a do nome, também é magnífica em sua obviedade - treze é o número do marido da galinha no jogo do bicho. Cáspite. Faço a irresistível facécia - Fossem vinte e quatro os fundadores, a escolha do mascote obedeceria ao mesmo critério? Creio que não.

O Campinense, em virtude de uma série de vitórias sobre o Treze nos anos sessenta, adotou uma raposa - animal que come o galo - como símbolo.

Não bastassem as glórias nas quatro linhas [o campeonato paraibano invicto de 1966 é, para os velhos torcedores, a maior delas], o Galo da Borborema também entrou para a história da música popular do Brasil. Em 1958 o grande compositor de cocos e baiões Rosil Cavalcante, autor de Sebastiana, compôs Saudade de Campina Grande, gravada pela lendária Marinês.

Ao cantar o banzo dos personagens da terra do São João mais arretado da Paraíba, a música fala do futebol de Campina Grande e cita o "Zé Iracema, center-foward do Paulistano em dia de jogo, e o Treze, velho galo da Borborema, que jamais teve problema e pegava fogo". [Acho a coisa mais extraordinária, aliás, esse uso do termo center-foward em legítimo forró paraibano.]

Fiquem com a grande Marinês cantando o Treze querido, em uma brilhante e inusitada gravação com a Orquestra Sinfônica da Paraíba. Vida longa ao futebol do Brasil e ao Galo da Borborema!


Abraços

3 comentários:

Lauro Arêas disse...

Simas, é impressionante seu vasto conhecimento sobre o futebol. Pena que eu nao tenho mais aulas com você.

rafaelfsn disse...

Este texto me lembra um curta que ví a pouco tempo :
Juventus, rumo a Tóquio !

"Ódio eterno ao futebol moderno"

Felipe Salek disse...

Muito bom!