segunda-feira, 1 de julho de 2013

DONA MUNDICA E EU


 
Essa foto, que muito me comove, foi tirada quando, aos dois anos de idade, fiz meus primeiros ritos de consagração no Xambá (o candomblé do Recife) de Mãe Deda, que, por sua vez, foi iniciada na casa de Mãe Zefa, no candomblé da Água Fria, uma das casas que surgiram a partir da matriz de Pai Adão. Estou no colo de dona Raimunda de Deus Leal, a Mundica, paraense versada nos ritos de pajelança e encantaria de jurema.

Esse é meu pertencimento, mora em mim. Minha infância foi assombrada pelo rufar dos tambores brasileiros e pelo alumbramento com os caboclos de pena e os marujos e boiadeiros da minha macaia querida. Quem viu, viu - e sabe do que eu falo.

É por isso, pelo meu encanto por Mariana, bela turca, pelo temor amoroso ao caboclo Japetequara, veterano bugre do Humaitá encantado no tronco da sucupira velha, pela reverência aos que correram gira pelo norte, que me emociono com esse Brasil afro-ameríndio, civilizado pelos tambores de seu povo. Amor bonito e dedicado, feito o cocar de Sete Flechas e o diadema da sucuri no limiar das luas.

Dona Mundica me civilizou de alforrias.


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