quarta-feira, 16 de abril de 2014

O FANTASMA DO LARGO DA SEGUNDA-FEIRA

Pertinho das águas caudalosas do Trapicheiro, na encruza da São Francisco Xavier com o ponto em que a Conde de Bonfim vira Hadocck Lobo, estende-se soberano o Largo da Segunda-Feira.

Ensina o velho Brasil Gérson que ali, em 1762, existia um canavial mequetrefe, herança dos tempos em que os jesuítas ocuparam o pedaço, cortado por um riachinho sobre o qual havia uma ponte. Em certa segunda-feira, ao lado da ponte, mataram um sujeito (coisa de traição à sorrelfa), jogaram a cabeça do presunto, com os olhos furados, nas águas e enterraram o resto do corpo no local. Uma cruz foi erguida para encomendar o defunto (foi retirada em 1880) e o larguinho passou a ser chamado pelo dia do sinistro: da Segunda-Feira.

Considero, por tudo isso, o Largo da Segunda-Feira um ponto ideal para feitiços e mandingas de todos os tipos: encruzilhada, assassinato, defunto enterrado, olhos vazados, cabeça jogada no arroio. É tiro e queda, como diria minha avó.

Dizem que o defunto de nome desconhecido, cujo dia do assassinato nomeou o lugar, vez por outra percorre, às madrugadas cortadas pelo vento que sopra da Floresta da Tijuca, as prateleiras do Mundial, já que a morte não exime ninguém, nem mesmo os desencarnados sem cabeça, de buscar o melhor preço.

Um comentário:

Anderson Couto disse...

Gostaria de saber como você consegue desenterrar essas histórias do Rio de Janeiro, caro amigo. (peço perdão pelo trocadilho infame...)