segunda-feira, 12 de maio de 2014

MEDALHA PEDRO ERNESTO

Acabei de saber que, por iniciativa do Vereador Eliomar Coelho , me foi concedida, em sessão legislativa da última quinta-feira, o conjunto de Medalhas do Mérito Pedro Ernesto por serviços prestados à cultura carioca. Virei oficialmente Comendador. É mole?
O que posso dizer? Agradeço ao Eliomar, ao Dudu Botelho e ao Tiago Prata , conspiradores sacanas dessa ideia maluca, sobretudo porque suspeito que estou recebendo a homenagem por conta das coisas que publico em livros e jornais, recuperando certa memória sentimental do Rio, e das aulas que ando inventando nas ruas cariocas, com apoio de uma rapaziada malunga. Agradeço também porque nenhum deles perguntou, alguma vez na vida, em quem eu voto, votei ou pretendo votar. Não tenho filiação partidária e minhas maneiras de interagir com a cidade são outras, ao largo da política formal. Eu canto na rua.
Aceito a homenagem, ainda, porque terei a oportunidade, na entrega da medalha, de fazer um fuzuê e dedicá-la, como faço agora aos meus heróis: João Cândido, Donga, Pixinguinha, Paulo da Portela, Cartola, Cunhambebe, Noel Rosa, Bide, Caboclo das Sete Encruzilhadas, Tia Ciata, Meia-Noite, Madame Satã, Lima Barreto, Candeia, Paula Brito, Marques Rebelo, Manduca da Praia, Silas de Oliveira, Anescar, Dona Fia, os judeus da Praça Onze, a pombagira cigana, a escrava Anastácia, o Cristo de Joãozinho Trinta, os árabes da Alfândega, o vendedor de mate, o apontador do bicho, os líderes anarquistas da greve de 1919, o professor, o aluno, o gari, o pinguço cheio das filosofias de botequim e mais um bando de cariocas que inventam a vida dando nó na caninana, batendo asas na fogueira e gargalhando subversivas alegrias nos infernos.
Afora isso, no meio de cada figura estranha e das politicagens mais descabidas que andaram envolvendo o babado, receberam a Pedro Ernesto os orixás Nei Lopes, Aldir Blanc, Paulo César Pinheiro e o meu amigo querido Rodrigo Ferrari .
Aceitei ainda por três razões fundamentais: terei a oportunidade de gritar um Laroiê e cantar um samba do Luiz Carlos da Vila ao receber a comenda; os bebuns do Bode Cheiroso adorarão sacanear um comendador; e tirarei onda com a minha mãe, certamente preocupada com o meu futuro desde o dia em que resolvi virar professor de História. A velha há de delirar que tem um filho com alguma relevância e fofocará isso com as amigas.
Só uma exigência faço aos que me concederam a homenagem: quero receber a medalha no meio da rua, entre a Ouvidor e a Rosário, nas cercanias da Folha, do Al-Farabi e da Toca do Baiacu; lá onde bebem afetuosamente os meus amigos das encruzilhadas cariocas.
Me permitam a confissão final: virei comendador, mas meu sonho mesmo, absolutamente fracassado, era ser um Barão das Cabrochas do Largo do Estácio.
Saravá!

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