sexta-feira, 3 de outubro de 2014

LEVY FIDELIX E O CURUPIRA

Eu conheci uma senhora do santo que trabalhava em rodas de encantaria com o Curupira. Maria dos Anjos, era esse o seu nome, não só incorporava o encantado das matas como também recebia a princesa Toia Jarina, tremenda entidade da guma brasileira [ o ponto de Dona Jarina, aliás, é lindíssimo: Jarina é flor, é flor do mar / ela é flor de laranjeira / é flor do mar...] . É, meus velhos, eu vi Jarina dançar e o caboclinho das matas pular serelepe numa roda de encantados.
Outro dia mesmo me lembrei da Dos Anjos. É que ando clamando pela participação do Curupira no processo eleitoral. O Curupira está fazendo falta no atual e decisivo momento político brasileiro. Explico, para não acharem que endoidei de vez.
O Curupira é matreiro. Gosta de pinga e fumo e costuma iludir os caçadores que entram na floresta e esquecem de lhe oferecer agrados. Quem entra na mata sem agradar ao Curupira termina mais perdido que cebola em salada de fruta. É também o protetor de todas as árvores das florestas. Quando arma-se alguma tempestade, o caboclinho verifica árvore por árvore, percute-lhes o tronco e as sapopemas, para saber se resistirão aos tormentos do temporal. Câmara Cascudo registra que no Alto Amazonas ele bate com o calcanhar ; no rio Tapajós, bate com o machado feito de casco de jabuti; no Baixo Amazonas, bate com o pênis imenso!
Ando matutando na possibilidade de dar um jeito de mandar Levy Fidelix para os confins do Baixo Amazonas. Como o sujeito entende tanto de cultura brasileira como eu de física quântica - necas de pitibiribas - certamente esquecerá de levar fumo e pinga para agradar ao Curupira. Enganado por um enfurecido ente fabuloso , Fidelix irá se perder para todo o sempre nas imensidões amazônicas. Eu apoio.
Pensei, inclusive, em um final perfeito, mais que desejado, para esse projeto político. Imaginem a ameaça de um temporal arrasador nos confins da mata. O Curupira, de pau duro, sai batendo com a assombrosa jeba nas árvores para verificar se elas resistirão. Nesse instante, Fidelix, o paladino da família brasileira, está, desavisado e perdidinho da silva, bancando a estátua ao lado de uma sapopema gigantesca. O encantado vem chegando, com o báculo episcopal em ponto de bala...
Erra o alvo, Curupira, erra...

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