segunda-feira, 7 de setembro de 2015

TUNA, TUNA, TUNA!

Licínio, Setenta, Cinco, Aldomário e Pellado ; Setenta e Sete e Lulu; Conega, Jango, Pitoca e Patesko. Esse é o imortal esquadrão da Tuna Luso Brasileira que conquistou de forma invicta, derrotando na final o Paysandu por 2 x 1, o campeonato paraense de futebol de 1937 - o primeiro na história da equipe da cruz de malta.

A Tuna Luso Brasileira, na verdade, ainda não se chamava assim naquele ano em que Getúlio Vargas deu o golpe do Estado Novo. A agremiação, fundada por vinte e um portugueses no primeiro dia do ano de 1903, chamava-se originalmente Tuna Luso Caixeiral (os da terrinha eram todos caixeiros viajantes que gostavam de se reunir para tomar vinho e cantar músicas portuguesas para seduzir as morenas paraenses). Manuel Nunes da Silva, o líder dos caixeiros, teve a ideia de fundar o grupo quando da visita do cruzador português Dom Carlos à cidade de Belém.

Em 1915, por iniciativa do portuga Francisco Vasquez, a Tuna passou a ter um time de futebol. No mesmo ano a equipe ganhou o primeiro troféu. A colônia portuguesa de Belém preparou uma rega-bofe dos grandes para festejar o 5 de outubro, aniversário da proclamação da República de Portugal. A pândega foi boa e a festa teve como momento maior um jogo entre a Tuna e o Grêmio Luzitano, que acabou 1 x 0 para os caixeiros cantores.

Dizem os portugueses da velha guarda de Belém que o maior feito da história da Tuna foi ganhar o torneio Rainha Guilhermina, em 1949 ( com o nome de Tuna Luso Comercial). Vejam vocês se não é mesmo para se gabar. A Rainha Guilhermina, da Holanda, foi visitar o Suriname; ocasião propícia para a realização de um torneio em homenagem à velha. A Tuna foi convidada para representar o futebol do norte do Brasil.

A Tuna disputou o certame contra times da Holanda, das Guianas e a Seleção do Suriname. Os luso-paraenses fizeram uma campanha arrasadora: sapecaram os holandeses do M.V.V. por 4 X 1; ganharam do selecionado do Suriname por 2X0; e do Robin Hood, potência do futebol das Guianas, por 3 x 1.

Ofendidíssimo com a derrota, o escrete do Suriname exigiu revanche. O jogo se transformou em uma questão de estado. Pressionada por uma multidão e enfrentando uma arbitragem criminosa, a Tuna arrancou um empate de 1 x 1 e ficou com a taça. A linha de meio do time daquele ano é uma das maiores da história do futebol do Pará: Nonato, Biroba, Juvenil, China e Palito ( experimentem recitar essa linha em voz alta, fazendo breve pausa após Juvenil. É quase um verso alexandrino).

Enfim, camaradas, nesses tempos em que o futebol-empresa - o estranho jogo gourmetizado praticado em arenas assépticas -  ameaça a sobrevivência de agremiações tradicionais do esporte canarinho, ergo minha taça de vinho do Porto em homenagem aos caixeiros viajantes que, ao criar a Tuna Luso, perceberam de fato o que interessa nessa vida: a música, o futebol, a festa e o amor pela aldeia.

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